– Pesquisas.

As pesquisas geram desconfiança nos que apoiam o candidato que está mal nelas.  Sempre dizem que não é isso que ouvem nas ruas e que há um interesse oculto por detrás daqueles números.  Já os que apoiam o candidato que vai bem acham que o trabalho é honesto e se baseia em dados científicos que sustentam o resultado.

Quando trabalhava em rádio, a emissora ia bem na maioria dos horários, porém, perdia numa hora lá.  Havia desculpas para a derrota que nem sempre batiam com a competência do adversário.  Perdíamos mais por nossos defeitos do que pelos méritos dos profissionais do outro lado.   E o público – baseado na fama de supremacia econômica da emissora em que eu trabalhava – dizia que um acerto estava sendo preparado com o instituto de opinião para acabar com a vantagem da rival.  O tempo passava, a supremacia da concorrente se ampliava, mas a conversa da tramoia não terminava.

A esquerda garante que as pesquisas servem aos poderosos que seriam os endinheirados inimigos dos mais pobres que, a serviço do capital internacional, querem manter o povo escravizado. Geralmente, os Estados Unidos financiam essa gente.

A direita diz que os esquerdopatas (denominação abrangente que vai desde marxistas até liberais ingênuos que serviriam aos interesses de Cuba e Venezuela), infiltrados na imprensa e nos institutos de pesquisa, manipulam os números para que os candidatos do comunismo que também é internacional estejam bem colocados.  E, quando surge o argumento de que o comunismo desmoronou com o Muro de Berlim e com o desmantelamento da União Soviética, responde que os comunas estão apenas adormecidos, mas prontos para atacar.

Tal discussão faz com que a divulgação de pesquisas em vez de mostrar o pensamento da população, estaria dirigindo as pessoas a uma posição.  Portanto, o povo seria incapaz de analisar a realidade e tirar suas conclusões.  O voto seria assim como escolher quem está na frente e não uma vontade própria de optar pelo candidato cujas ideias apoia.

Testemunhei história engraçada sobre pesquisas num programa em que os ouvintes votavam sobre um tema proposto.  O produtor chegou ao microfone e informou:

– Até agora, quarenta por cento votaram não.

Silêncio no estúdio.

O comunicador pergunta:

– E os outros sessenta por cento?

O produtor:

– Vão votar até o final do programa.

 

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