– Isto ou aquilo

 

Cecília Meirelles escreveu um poema sobre a indecisão:

“……Ou se tem chuva e não se tem sol,

ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,

quem fica no chão não sobe nos ares…….”

Segundo ela, estamos sempre na impossibilidade de escolher uma coisa ou outra porque não podemos estar em dois lugares.

Lembro o poema porque o país está repetindo esse dilema.  Ou se vota em quem pode impedir que o Brasil se transforme numa Venezuela ou se vota em quem quer transformar o Brasil numa Venezuela.  Parece que não existe um meio termo capaz de garantir nossa soberania sem levar a nação a se transformar em outra.  O pior é que a Venezuela tem um regime implantado por um tenente-coronel, militar paraquedista.  Paraquedista porque saltava de paraquedas e não porque caiu sem querer na política.  Portanto, olhando por tal prisma, parece que a transformação em Venezuela é inevitável.

Ou se vota num ficha limpa ou se corre o risco de escolher um corrupto.  E, quando se sugere uma alternativa, os seguidores de quem seria o único ficha limpa reviram o passado dos adversários revelando que, em algum momento, houve envolvimento “desses” com as sujeiras da política.

Eleições sempre são polarizadas com acusações inúmeras.    O que a atual tem de diferente é que fica no ar a obrigação de escolher entre o passado nebuloso distante e o passado recente que teria levado o país a um caos.  Os governos eleitos por voto direto e, por extensão a democracia, seriam responsáveis pela violência, pelos menores infratores ou pelo homossexualismo que estaria sendo incentivado a dominar a sociedade.

Agora, o eleitor está numa encruzilhada na qual teria de escolher entre candidatos que apoiam o aborto e outro que apoia a vida embora prometendo o direito de todo cidadão portar armas de fogo.

Ou isto ou aquilo domina a política nacional e confunde o raciocínio do brasileiro que parece incapaz de perceber que entre várias escolhas, às vezes, corre-se o risco de optar por alguma coisa que pouca alteração trará.  Mas, como nos ensina o poema de Cecília Meirelles, não se pode ter tudo ao mesmo tempo.

 

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